19 de dezembro de 2010

A IBM reinventa o trabalho voluntário

“Foi como voltar aos dias de estudante do ensino médio. Todos nós tínhamos apelidos e estávamos sempre juntos”, diz Guruduth Banavar, um executivo sênior da IBM. Recentemente, ele passou algum tempo voluntariando em Ho Chi Minh City, Vietnam, como membro uma equipe de seis pessoas, escolhidas pela IBM Corporate Services Corps, trabalhando “pro bono” junto ao governo da cidade para desenvolver novas estratégias em áreas que iam desde o transporte público, fornecimento da água adequada para a saúde dos alimentos até a inovação.

Lançado em 2007, como uma “versão corporativa do Peace Corps (Voluntários da Paz)”, o programa está agora sendo ampliado com a participação de 500 funcionários da IBM, por ano. Embora muitas empresas incentivem seus funcionários a fazerem trabalho voluntário (como a Pfizer, fabricante de medicamentos) enviando-os para o exterior para trabalharem com as organizações internacionais, a IBM Corporativa está reinventando a idéia de várias maneiras importantes, principalmente em seu objetivo principal de fazer tudo bem feito fazendo o bem.

A idéia surgiu da tentativa de implementar a visão de Sam Palmisano, Diretor Executivo da IBM, para transformar a empresa em um “empreendimento globalmente integrado”. Com a necessidade de desenvolver líderes capacitados para operarem em qualquer lugar do mundo, a empresa decidiu utilizar o voluntariado como uma forma de capacitação para poder alcançar um grande sucesso. Há benefícios, diz Stanley Litow, que administrou a equipe a partir desse conceito: as comunidades se beneficiam com o ingresso de pessoas capacitadas para solucionarem problemas, pois assim a marca da empresa é enriquecida e recebe uma esquadra de líderes com novas aptidões. “E isso tem um custo muito menor do que do que um treinamento no exterior”, observa Mr.Litow.

Inicialmente, aqueles que eram selecionados para fazerem parte de grupos multiétnicos eram considerados como estrelas ascendentes que estavam a poucos degraus para conseguirem alcançar o ponto máximo. Entretanto, o programa foi disponibilizado para executivos como, por exemplo, observou o Sr. Banavar, um ex executivo do setor de pesquisas da IBM na Índia, que é atualmente o CEO da empresa em nível global para o setor de negócios públicos: “Essa foi a melhor maneira de fazer a minha capacitação para o novo cargo” A equipe executiva deu orientações de como as cidades poderiam se tornar mais adequadas para os governos locais – que viessem a se tornar clientes dos serviços da IBM, embora a empresa insistisse em colaborar sem qualquer compromisso.

Na realidade, embora seja fácil imaginar os benefícios para a equipe da IBM, o maior desafio que o Sr. Litow teve foi assegurar que todos os participantes realmente estavam, beneficiando aqueles que solicitavam ajuda, principalmente porque as missões duravam apenas quatro semanas para a equipe regular e três semanas para os executivos. Isso até poderia ser o tempo necessário para piorar a situação em vez de melhorá-la. Assim, a IBM trabalha com organizações não-governamentais, tais como a CDS, que é especializada em voluntariado no exterior, para identificar projetos e preparar a equipe antes de sua chegada.

Outras empresas estão agora seguindo os passos da IBM. A Novartis, indústria farmacêutica, enviou voluntários para Tanzânia e Filipinas. A Dow Corning também enviou voluntários para Bangalore. A Federal Express está enviando seis pessoas para trabalhar em projetos da IBM, para ver se o modelo funcionará para eles.

Um benefício inesperado para a IBM é que os participantes tornaram-se extremamente populares dentro da empresa e, mais de 10.000 funcionários também se candidataram para participar do projeto. Aqueles que já participaram do projeto têm demonstrado um comprometimento maior em relação as suas carreiras na empresa, diz Litow. Inclusive alguns clientes estão mais satisfeitos. Piotr Uszok, prefeito de Katowice na Polônia, disse que está muito satisfeito com as orientações que recebeu este ano e espera que a IBM continue a tomar parte nas propostas para os projetos que são os frutos desse voluntariado.

Texto sugerido pela colega Karine Lugo, de tradução livre de Luiza Simon, voluntária, por solicitação da ONG Parceiros Voluntários, em 4/11/2010, Porto Alegre/RS.